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Coursera oferece mais de 100 cursos gratuitos e à distância até o fim do ano

A difusão do home office e o número elevado de demissões causados pela pandemia do novo coronavírus levaram muitas pessoas a buscar cursos online.


E a boa notícia para quem está a procura de maior qualificação é que a Coursera, uma das maiores plataformas digitais de aulas à distância, liberou mais de 100 de seus cursos.




Alguns deles oferecidos, inclusive, por renomadas universidades americanas, como Harvard e Yale, e por grandes empresas, como Google e Facebook.


Quanto aos temas e ao nível dos cursos, impera a diversidade. Há desde aulas de música até cursos sobre ciências humanas e saúde pública, que são voltados tanto para estudantes pouco familiarizados com as respectivas áreas quanto para profissionais experientes.




Com a liberação desses cursos, os alunos terão acesso a opções antes exclusivas para assinantes, como leituras complementares e correção de exercícios. A maioria dos cursos oferece também aos inscritos certificados de conclusão que podem, por exemplo, ser registrados no Linkedin.



Além de aumentar a cultura e desenvolver as habilidades, portanto, cursos online se tornaram um atributo importante para qualquer profissional. Com mais tempo livre e com uma concorrência mais acirradas pelas vagas disponíveis, um currículo recheado de certificados se tornou mais acessível e pode fazer a diferença na hora de procurar emprego e de corresponder às expectativas das empresas.



Confira as opções de cursos gratuitos em: https://www.coursera.org/


O crescimento do trabalho fora do expediente e seus impactos sobre a saúde mental

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP


Com as pessoas em casa e com acesso à internet na maior parte do tempo, os limites entre vida pessoal e trabalho, que já vinham se tornando mais fluidos, praticamente desapareceram. A qualquer momento, funcionários podem consultar mensagens profissionais e receber pedidos, o que prejudica o descanso e a própria ideia de momentos de lazer.


Um estudo da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, mostrou que, ao tornarem o trabalho onipresente, o celular e novas tecnologias promovem uma sobrecarga psicológica que prejudica a saúde mental. Por outro lado, quem consegue separar melhor as vidas pessoal e profissional lida melhor com o estresse ligado ao trabalho e sofre menos com seus efeitos físicos.




Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores estudaram, durante cinco semanas, a rotina de 546 professores para analisar os efeitos da comunicação profissional fora do expediente. O objetivo era avaliar se a restrição desse contato teria algum impacto sobre seu bem-estar.


A pesquisa revelou que aqueles que mantiveram o celular desligado ou as notificações de e-mail desativadas, foram menos interpelados por diretores das escolas, chefes e pais de alunos fora do horário de trabalho. Ao serem menos reativos ao contato, eles deixaram claro que não estavam disponíveis naqueles momentos. O resultado percebido foi uma menor carga de estresse sobre esses professores.



É evidente que não podemos ignorar a importância das novas tecnologias para um mundo do trabalho cada vez mais dinâmico. Mas é fundamental, por outro lado, colocar freios no pensamento de que os funcionários estão sempre disponíveis. Uma prática que compromete profundamente sua saúde mental e, consequentemente, sua produtividade.



Nesse sentido, os pesquisadores de Illinois mostraram também a necessidade de gestores que respeitem a distinção entre as vidas profissional e pessoal de seus colaboradores. Uma saída sugerida por eles, e que faz sentido, é o estabelecimento de regras para a comunicação entre chefes e funcionários fora do expediente.



Algo que já era importante antes da pandemia, mas que ganhou outras proporções com as novas dinâmicas profissionais. No início do ano, um estudo da consultoria Randstad revelou que 59% dos brasileiros acreditavam que seus empregadores esperavam que eles estivessem disponíveis para além do horário de trabalho. Hoje, com a fronteira entre trabalho e lazer ainda mais borrada, é fundamental que empregadores e funcionários fiquem atentos a um equilíbrio cada vez mais difícil.


Dicas de como não procrastinar no home office

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Para além dos seus livros, a escritora canadense Margaret Atwood é famosa pela sua tendência à procrastinação. Ela mesma se define como uma especialista em adiar tarefas e conta que já passou inúmeros dias vendo vídeos, lendo notícias e deixando para cumprir os compromissos no último momento possível.



Tudo isso é muito comum. A procrastinação, ou deixar para depois, afeta quase todas as pessoas e em diferentes momentos e lugares. Mas com a generalização do home office, quem não estava acostumado a ficar em casa tem sofrido para organizar a rotina de trabalho.





Afinal, com a distância física dos chefes e colegas e as atrações e afazeres domésticos, a tendência natural de adiar tarefas que nos provocam sensações de ansiedade e tédio só aumenta.



O que muitos dos profissionais se perguntam diariamente é como evitar isso. Em conversa com o psicólogo Adam Grant em episódio do podcast Ted Work Life (disponível em: ted.com/podcasts/worklife), Margaret Atwood elencou as técnicas que a ajudam a cumprir prazos.





O fundamental, segundo Atwood, é evitar as emoções negativas que nos levam a adiar obrigações. E as dicas que ela dá para isso são:



1. Seja amável com você





Procrastinar é humano e todas as pessoas adiam tarefas pelo menos de vez em quando. Condenar seu comportamento no passado não vai ajudar a mudar os hábitos. A culpa, ao invés de servir de estímulo, só faz aumentar a procrastinação.



2. Seja humilde nas suas ambições





Expectativas muito altas sobre a qualidade do trabalho levam a um perfeccionismo neurótico prejudicial ao trabalho. A dica de Atwood é deixar para avaliar o resultado depois de pronto. Avance, produza e depois você verá se o que fez vale a pena ou deve ser descartado.



3. Seja rigoroso com os deveres





É imprescindível controlar vontades que levam à dispersão. Contribui para isso organizar previamente o tempo e tomar medidas que evitem distrações. Uma ótima forma de começar, por exemplo, é definindo um tempo curto para realizar tarefas simples.



4. Faça uma lista de coisas a não fazer





O comum é criar listas de coisas pendentes. Mas Atwood sugere fazer o contrário: uma lista de proibições, que variam de pessoa para pessoa. Em sua lista consta não tuitar ou abrir o Twitter enquanto está escrevendo. Mas poderia incluir não ligar a televisão ou abrir as redes sociais constantemente.

Como encarar a volta ao trabalho

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Um dilema que tem se apresentado à líderes de diversas áreas neste momento de flexibilização das regras de isolamento social diz respeito ao retorno, ou não, ao trabalho presencial. Uma decisão que não é simples e que deve levar em conta uma série de fatores. 



O primeiro e mais evidente deles é o econômico, já que a própria sobrevivência de muitas empresas está em jogo. Cumpre saber, porém, se recuperar as antigas práticas de trabalho será benéfico à empresa em meio a uma situação em que é difícil prever a evolução da demanda pelos seus produtos e serviços.





O segundo fator incontornável é o sanitário. Fazer os funcionários voltarem ao trabalho significa expô-los, em maior ou menor medida, à contaminação. E tomar qualquer decisão nesse sentido ainda implica enfrentar as incertezas que rondam a natureza do vírus e de sua disseminação. 




É verdade que muitos profissionais estão ansiosos para voltar a frequentar o ambiente comum de trabalho. Reconhecem que seus empregos dependem do melhor funcionamento das empresas, e também sentem a falta do convívio com os colegas. 





No entanto, os funcionários também se preocupam com os riscos envolvidos no retorno à normalidade. Pesquisas têm mostrado que, no Brasil, por exemplo, mais de 90% deles estão preocupados com uma maior exposição ao vírus no local de trabalho e em atividades relacionadas a ele.




Em suma, a decisão de pedir aos empregados que voltem ao trabalho presencial não é fácil e não conta, hoje, com uma saída única e correta. O que líderes e executivos de pequenas ou grandes empresas podem fazer é considerar questões cruciais antes de qualquer definição.




Algumas das perguntas que eles devem se fazer são as seguintes: 




O funcionamento da empresa depende da presença constante dos funcionários no local de trabalho? 




Há demanda que justifique o retorno dos trabalhadores? 




Caso haja demanda, quantos funcionários são necessários no local de trabalho e por quanto tempo?




A realidade de cada empresa, de cada setor e de cada região é muito particular e tem variado rapidamente ao longo do último período. Mas se há uma regra que todos os líderes devem seguir na relação com seus subordinados é a confiança. 




Embora o funcionário reconheça as dificuldades das empresas, seu comprometimento e sua produtividade serão totalmente afetados pela convicção de que sua empresa está levando em conta, para além dos seus ganhos, a segurança de seus colaboradores.




Nesse sentido, é fundamental que as companhias tomem todas as precauções que estejam ao seu alcance para mitigar os riscos de contaminação de seus funcionários. Seja fornecendo equipamentos de proteção, seja promovendo a ventilação de escritórios fechados, seja evitando o contato físico entre colegas, clientes e fornecedores. 




Por fim, voltar ao trabalho presencial não quer dizer, necessariamente, repetir tudo como era antes da pandemia. A crise que vivemos, apesar de todos os prejuízos que tem provocado, deve servir como uma oportunidade para repensar práticas e dinâmicas incompatíveis com a nova realidade. O retorno não será fácil, mas ele pode inaugurar uma organização melhor do que aquela que interrompemos.