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Semana de 4 dias de trabalho: realidade ou ilusão?

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



A Covid-19 trouxe junto com ela várias mudanças ao mundo do trabalho. Algumas foram inevitáveis e ocorreram sem muito planejamento, como a disseminação do home office. Já outras são resultado dos impactos da pandemia e prometem transformar, para além da forma e do local de trabalho, a própria jornada semanal de cinco dias.



Como desdobramento do debate sobre a saúde mental, diversas empresas têm anunciado a redução da carga horária de seus colaboradores, em muitos casos implementando uma jornada de quatro dias de trabalho. Enquanto isso, alguns países têm promovido testes no setor público e patrocinado experiências no setor privado nessa mesma direção.



Os funcionários tendem a aprovar essas iniciativas e relatam um melhor equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional, menos estresse e menor chance de esgotamento. A maioria deles alega ainda observar uma maior produtividade a partir da implementação de jornadas mais curtas.



E as experiências recentes têm mostrado justamente isso. Na Islândia, entre 2015 e 2019, 1 em cada 100 profissionais do país passaram a trabalhar quatro dias na semana e pesquisas indicaram que sua produtividade permaneceu a mesma ou melhorou nesse período.



Outros testes coordenados pelo Estado têm sido feitos em países como a Espanha. E determinadas empresas têm experimentado jornadas mais curtas de maneira voluntária ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Os resultados quanto à produtividade até agora são animadores, com funcionários que perdem menos tempo com reuniões longas e ineficazes e declaram enxergar mais motivação no trabalho.



Além de reduzir a fadiga e melhorar a saúde mental dos profissionais, uma jornada mais curta ainda contribui para o meio ambiente. Diversos estudos têm mostrado como ela significa menos emissão de carbono, menos impressão de papel e menor consumo de energia.



Mas esse não é ainda um caminho sem volta. Nos últimos anos, algumas empresas chegaram a reduzir a jornada de seus funcionários e, pressionadas pela alta competitividade em seus respectivos setores, restabeleceram a semana de cinco dias.



A criação do fim de semana como um período de folga dos trabalhadores tampouco ocorreu de um dia para o outro e sem idas e vindas. O fato de algumas experiências de jornadas mais curtas estarem em curso e de gestores e empresas considerarem cada vez mais a sua adoção é um sinal relevante de transformação na semana de trabalho como estamos acostumados. Esse pode ser, afinal, mais um efeito antecipado pela crise sanitária e capaz de revolucionar o mundo do trabalho.

Como saber a hora de mudar de emprego?

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Não é tão raro que uma vaga com a qual sonhamos durante muito tempo não corresponda exatamente ao que imaginávamos. Mas às vezes a espera foi tão grande para alcançar aquele objetivo que é difícil aceitar que não deu certo e partir para a busca de novas experiências. Como fazer, então, para decidir o momento exato de deixar o emprego?



Frustrações são comuns e podem ser provocadas por uma série de motivos, como relações pessoais ruins com chefes e colegas e alguma incompatibilidade com a cultura da empresa, com as formas de comunicação e a organização do trabalho.



A situação mais grave é quando percebemos uma falta de interesse e aptidão para a área de atuação e o tipo de tarefas que ela exige. Nesses casos, quando a ausência de motivação é clara, não há muita alternativa a não ser procurar outros centros de interesse e novas experiências profissionais.



Nos outros casos, em que a frustração é provocada pelos motivos elencados acima, há várias considerações a se fazer. A primeira delas é saber se o problema é individual ou coletivo. Afinal, a dificuldade pode ser sua ou pode haver algo de errado com a própria empresa.



Se a maioria dos colegas está insatisfeita, provavelmente há algo a ser feito em termos gerais. Resta entender exatamente o quê e se há alguma margem para uma transformação ampla do ambiente de trabalho.



Já se as outras pessoas estão felizes e motivadas, o problema é com você – e tudo bem. Nesse caso, cumpre saber se vale a pena insistir para se adaptar ou se há uma incompatibilidade que não pode ser superada.



A melhor maneira de identificar até onde deve ir o esforço nesse sentido é prestando atenção nos sentimentos que o trabalho desperta. Quando você acorda, ou no momento que antecede o começo do expediente, como você se sente? Se sensações de aflição, nervosismo e cansaço se repetem de forma regular, provavelmente não há muito o que fazer a não ser procurar outro emprego.



Abandonar um posto de trabalho, porém, não é tão simples. Ainda mais em um momento conturbado do ponto de vista econômico e do mercado de trabalho como o atual. O ideal é sair apenas com outra oportunidade em vista. E mesmo nessa situação, é fundamental levar em conta todas as dimensões da nova vaga para não tomar uma decisão precipitada. As condições são boas? Você se sente suficientemente motivado ou é apenas uma forma de mudar de ares?



Deixar um emprego, então, não é fácil e envolve uma série de riscos. Mas há momentos em que ter coragem para tomar essa decisão é imprescindível. Pois a insatisfação e o desgaste no trabalho têm efeitos muito sérios.



No âmbito pessoal, a saúde mental e as relações sociais acabam prejudicadas. Do ponto de vista profissional, um emprego que não nos estimule abala nossa autoestima, nossa motivação e até a vontade de seguir trabalhando. E sim, é possível ser feliz no trabalho e devemos sempre perseguir esse objetivo. Tendo em mente, por outro lado, que esse ideal não pode ser tão distante da realidade para não gerar constantes frustrações.

Janeiro Branco é oportunidade para falar sobre saúde mental

Por Eliane Franco Figueiredo – CEO da PROJETO RH, Psicóloga e Especialista em Recrutamento e Seleção.



Provavelmente, nunca se falou tanto de saúde mental quanto nos últimos anos. E nem poderia ser diferente. Dentre os inúmeros efeitos negativos da pandemia de Covid-19, um dos mais graves é uma deterioração quase generalizada do bem-estar emocional.



Uma pesquisa de 2021 encomendada pelo Fórum Econômico Mundial mostrou, por exemplo, que mais da metade dos brasileiros considera que sua condição emocional piorou no último ano. A situação é parecida na grande maioria dos países.



Porém, se o quadro piorou, ao menos o tema ganhou uma atenção inédita. A cada dia é mais aceita a ideia de que a saúde emocional é tão – senão mais – importante do que a saúde física. Diversas iniciativas da sociedade civil têm justamente esse objetivo. Como é o caso da campanha Janeiro Branco, que busca chamar a atenção da opinião pública para a gravidade das doenças mentais e desfazer o estigma que ainda as cerca.



A partir, em boa medida, de ações como essas, tem diminuído o preconceito em relação a transtornos mentais e as pessoas têm passado a entender que a integridade emocional é incontornável tanto para o bem-estar pessoal quanto para o sucesso profissional.



Com efeito, os impactos da pandemia sobre o trabalho têm sido determinantes para a deterioração da saúde mental de inúmeras pessoas. Além das mudanças ligadas à rotina, a distância física dos colegas e a intensificação das ferramentas digitais de comunicação agravaram sentimentos como ansiedade e depressão. O que se reverte em uma relação mais problemática com o trabalho, desempenho pior e prejuízo para a carreira de forma geral.



Diante disso, a volta ao trabalho presencial anunciava alguma melhora para os profissionais que não se adaptaram às mudanças trazidas junto com o trabalho remoto. A persistência da circulação do vírus, agora por uma nova cepa, no entanto, deve atrapalhar os planos de empregadores e equipes. De todo modo, o retorno aos padrões que existiam antes da pandemia parece improvável.



Caberá a todos, assim, um esforço de adaptação a uma realidade ainda muito incerta. Por parte dos funcionários, será necessário organizar expectativas profissionais e uma rotina que já não obedece, na maioria dos casos, à lógica rígida do trabalho de antigamente.



Por parte das empresas, caberá alinhar exigências e regras de modo a não sobrecarregar e desgastar a saúde mental de seus colaboradores. Horários flexíveis, personalização de benefícios e condições de trabalho são algumas das iniciativas que deverão ser cada vez mais comuns para dar conta de um novo mundo do trabalho.



Não podemos deixar de aproveitar cada oportunidade para falar da importância da saúde mental e das estratégias para promovê-la em todos os âmbitos da vida, inclusive o profissional. O Janeiro Branco é uma dessas oportunidades e o bem-estar emocional não pode esperar.

Faculdades Renomadas, no Brasil e no exterior, disponibilizam diversos cursos gratuitos

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Foi-se o tempo em que estudar em universidades renomadas era uma possibilidade restrita a quem pudesse ser aprovado em concorridos vestibulares ou pagar altas mensalidades.



Hoje, as principais faculdades do país e do exterior oferecem cursos gratuitos, a distância e de livre acesso a todas as pessoas. Em alguns casos, os alunos recebem até um certificado ao fim do programa. Além de aprimorar habilidades e adquirir novos conhecimentos, portanto, essa é uma opção para valorizar o currículo.





FGV



A instituição oferece cursos em áreas como economia, finanças, administração de empresas, marketing e gestão de pessoas em diferentes formatos e com diferentes cargas horárias. Consulte em: Acesse Aqui

USP



Diversos cursos são oferecidos ao longo do ano. Pelo Coursera, a instituição também disponibiliza programas específicos, por exemplo cursos de Ciência da Computação. Consulte as opções em: Acesse Aqui

Harvard



A mais renomada universidade americana oferece mais de 100 cursos gratuitos. Em alguns casos, porém, para receber o certificado é preciso pagar uma taxa. Veja as condições e as opções disponíveis em: Acesse Aqui

MIT



O MIT oferece, já há algum tempo, cursos online e gratuitos em todas as áreas da universidade. Mais de 100 deles contam com videoaulas com professores da instituição. Veja os cursos disponíveis em: Acesse Aqui

UnB



A Universidade de Brasília oferece mais de 30 cursos de formação profissional em diferentes áreas, da saúde aos negócios, passando pelo turismo, em parceria com o Ministério do Trabalho. Consulte as opções em: Acesse Aqui

Unesp



A universidade estadual paulista oferece mais de 60 cursos gratuitos que podem ser iniciados a qualquer momento. Os certificados, por sua vez, são pagos. Veja a lista de opções em: Acesse Aqui

Ao fim de mais um ano, renovemos nossas aspirações individuais e coletivas

Por Eliane Franco Figueiredo – CEO Projeto RH



Entre os altos e baixos no combate à pandemia e aos seus efeitos no Brasil e no mundo, 2021 chega ao fim como mais um ano especialmente difícil.


É verdade que, em comparação com outros momentos, o avanço da vacinação e o controle de casos graves e mortes causados pela Covid-19 nos dão motivos para comemorar. No entanto, ainda lidamos com um acúmulo de cansaço, incerteza e medo ligados a uma pandemia que não chegou ao fim.


Todos tiveram, ao longo dos últimos dois anos, que fazer prova de resiliência para suportar os efeitos de uma crise sanitária que se desdobrou em crise econômica, social e política. No âmbito pessoal, nos preocupamos constantemente com a nossa própria saúde e aquela de nossos familiares, colegas e amigos.


Mas os efeitos da pandemia não se restringiram ao mundo pessoal. A vida profissional da enorme maioria das pessoas foi impactada. Empresários, funcionários, autônomos e estudantes tiveram que lidar com as mudanças, via de regra negativas, provocadas pelo vírus.


Profissionais de diferentes áreas e com diferentes níveis de experiência foram obrigados a demonstrar força e criatividade para manter o foco e, quando preciso, se reinventar. Se o mundo do trabalho já vinha se alterando em grande velocidade antes da pandemia, o vírus acelerou mudanças em curso e adicionou outras camadas a uma realidade em constante transformação.

Neste momento de festas, devemos aproveitar a oportunidade para refletir e recuperar o fôlego e a motivação para seguir caminhando em busca de sonhos pessoais e coletivos.


Para não falar da renda. Como mostra o Atlas de Desenvolvimento Humano, o rendimento médio do trabalhador negro é 42% menor do que do trabalhador branco. Para a mesma função e muitas vezes com a mesma origem social, negros ganham menos do que brancos e têm menos chance de serem promovidos. E a pandemia só agravou a desigualdade, já que a enorme maioria dos profissionais negros não pôde aderir, pela natureza de suas ocupações, ao trabalho remoto e ao isolamento social.


Pois se algo de positivo podemos tirar da pandemia é a lição de que dependemos muito uns dos outros. Na mais simples realização individual e na mais bem-sucedida carreira profissional, encontramos sempre a cooperação e o esforço de diversas pessoas. Ao celebrar o natal e o ano novo, pensemos em nós e naqueles que estão à nossa volta.

Semana da Consciência Negra

Por Eliane Franco Figueiredo – CEO Projeto RH



Em semana da consciência negra temos muito a comemorar e mais ainda a fazer pela igualdade racial


A própria celebração de um mês, de uma semana, de um dia da consciência negra representa, em si, os avanços recentes da sociedade brasileira no que diz respeito ao combate ao racismo. No entanto, o caminho no sentido da igualdade ainda é longo e uma série de desafios e preconceitos ainda devem ser superados na luta contra a discriminação racial. No mundo do trabalho não é – e nem poderia ser – diferente.


Algumas iniciativas para diminuir a desigualdade racial no interior de grandes empresas chamaram a atenção nos últimos anos. O que mais repercutiu foi o lançamento de um programa de trainee pela Magazine Luiza exclusivamente voltado para profissionais negros. Depois dele, outras empresas, de maior ou menor porte, seguiram pelo mesmo caminho. É comum, hoje em dia, ver anúncios de vagas dirigidos, prioritariamente, para candidatos negros, mulheres ou LGBTQIA+.


Medidas como essas, de extrema importância, revelam como não basta garantir o acesso a formação superior para todos. Cabe também às empresas, na hora de selecionar candidatos e promover funcionários, colaborar para que os cargos de chefia não sejam ocupados apenas pelos mesmos de sempre – geralmente, homens brancos.


O que não diminui a importância das cotas raciais nas universidades públicas, que colocou a universidade no horizonte e na vida de muitos jovens negros. Desde a primeira experiência nesse sentido, em 2003, na Universidade de Brasília, o percentual de pretos e pardos com acesso ao ensino superior explodiu. Entre 2010 e 2019, o número de alunos negros nas universidades cresceu quase 400%. Sem as cotas, provavelmente, não seria sequer possível pensar em programas de trainee somente para negros. E mesmo que quisessem, grandes companhias não conseguiriam preencher altas posições com profissionais negros.


Apesar de tudo isso, a realidade do mercado de trabalho segue muito desigual do ponto de vista da raça. De acordo com o instituto Ethos, embora represente 55% da força de trabalho no Brasil, a população negra ocupa apenas 4,7% dos cargos executivos nas 500 maiores empresas do país. Segundo o Caged, apenas 3,7% dos profissionais contratados para cargos de lideranças em 2019 eram negros.


Para não falar da renda. Como mostra o Atlas de Desenvolvimento Humano, o rendimento médio do trabalhador negro é 42% menor do que do trabalhador branco. Para a mesma função e muitas vezes com a mesma origem social, negros ganham menos do que brancos e têm menos chance de serem promovidos. E a pandemia só agravou a desigualdade, já que a enorme maioria dos profissionais negros não pôde aderir, pela natureza de suas ocupações, ao trabalho remoto e ao isolamento social.


Alguns fatores objetivos contribuem para esse quadro, como a ausência de oportunidades educacionais. Mas boa parte da desigualdade se explica ainda pela discriminação. Medidas que promovam a igualdade na porta de entrada e dentro das empresas, com suporte e inclusão efetiva, são fundamentais para mudar essa realidade. O que é crucial para acabar de vez com o racismo e, de quebra, melhorar o desempenho das equipes. Não faltam pesquisas e dados, afinal, que mostram os efeitos positivos de uma empresa diversa na sua composição.

Veja 5 dicas para evitar dores nas costas durante longas jornadas de trabalho

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



A necessidade de permanecer muito tempo sentado, durante longas jornadas, têm provocado uma série de efeitos sobre a vida pessoal, o trabalho e o corpo de milhões de pessoas. Embora pouco comentado, um dos mais generalizados é a dor nas costas.

Com rotinas menos ativas e horas e mais horas passadas à frente do computador, por vezes curvados diante de um laptop, profissionais têm pagado o preço da pouca mobilidade física.

Um estudo com profissionais que trabalham em casa no Reino Unido do instituto Opinium revelou que 81% dos entrevistados estavam sentindo algum tipo de dor nas costas, no pescoço ou nos ombros.

Pessoas com problemas graves e dores persistentes devem procurar assistência médica, mas há algumas iniciativas que podemos tomar de maneira autônoma e que podem aliviar os efeitos de um dia a dia mais sedentário.

1 – Não fique só sentado



Quando nos movemos, diferentes músculos compartilham o esforço de manter a cabeça, o pescoço, as costas e o resto do corpo apoiados. Portanto, mexa-se, não fique longos períodos sentado. Uma opção é fazer algumas atividades em pé ou andando, como reuniões online e telefonemas. Outra é se movimentar sempre que possível: seja por meio de um alongamento ou de pequenas caminhadas.

2 – Use alarmes



Para não ficar sentado por longos períodos, precisamos nos acostumar com a ideia. Uma alternativa recomendada é colocar alarmes para nos lembrar e nos obrigar a levantar. Os intervalos podem variar; o importante é mudar de posição e se mover.

3 – Faça exercícios na mesa



Pequenos gestos já podem surtir efeitos importantes. Alongamentos simples do tórax e das pernas, por exemplo, podem ser feitos mesmo quando estamos sentados diante do computador. O ideal é extrapolar a mesa e alongar outras partes do corpo com regularidade.

4 – Organize o espaço de trabalho



Uma cadeira cara não é necessária e tampouco suficiente para resolver o problema. Mesmo com cadeiras simples de escritório é possível manter uma boa postura, às vezes com pequenos ajustes, como uma almofada para apoiar a parte inferior das costas.



Outra medida importante é elevar a tela do laptop à altura dos olhos. O que pode ser feito com o auxílio de um suporte e com um teclado avulso.

5 – Durma bem



A dor nas costas não é provocada apenas pela nova rotina e por uma má postura. A ansiedade e o estresse gerados pela pandemia e pelos seus efeitos têm um peso importante nessa conta. Para aliviá-los, há diversas maneiras. A mais simples delas é dormir bem. Para isso, dicas convencionais são: evite cafeína à tarde e à noite, procure deitar e levantar sempre nas mesmas horas e evite usar aparelhos eletrônicos com tela uma hora antes de ir para a cama.

Multitarefa: a romantização e os riscos de fazer várias coisas ao mesmo tempo

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Não é de hoje que resolver problemas pessoais e profissionais concomitantemente é inevitável. Com a pandemia, porém, essa realidade ganhou outros contornos. Quantos pais e mães estão tendo que trabalhar, arrumar a casa e cuidar dos filhos ao mesmo tempo?



Ser multitarefa – antes uma qualidade reivindicada com orgulho por muitos profissionais – deixou de ser apenas um atributo desejado e passou a ser uma exigência para a maioria das pessoas. O que não é simplesmente resultado da Covid-19 e pode representar ameaças importantes para a produtividade e o bem-estar.



A partir de mudanças na esfera da economia e da produção, o mercado de trabalho demanda cada vez menos profissionais com competências específicas e repetitivas. Ganham importância as chamadas habilidades socioemocionais e a capacidade de solucionar problemas. Assim, a tendência é que os profissionais atuem em diferentes frentes e assumam um número cada vez maior de responsabilidades.



Há efeitos positivos nesse movimento. Por um lado, trabalhadores desenvolvem habilidades ligadas à criatividade e se deparam constantemente com novos desafios. Por outro lado, no entanto, o acúmulo concomitante de diferentes tarefas traz também consequências negativas.



Estudos já mostraram, por exemplo, que a distração produzida por ligações e-mails prejudica o desempenho, no curto e no longo prazo, de participantes em testes de QI. Uma pesquisa da Universidade Stanford de 2009, por sua vez, revelou que a qualidade do trabalho de pessoas multitarefa é inferior àquela de outros profissionais.



São diversos os estudos que mostram ainda que o acúmulo de tarefas aumenta o estresse, a ansiedade e o cansaço. Um deles, da Universidade de Sussex, chegou à conclusão de que pessoas que consomem informações de diferentes meios de comunicação ao mesmo tempo têm uma densidade menor na parte do cérebro responsável pela empatia.



Dificilmente vamos poder, no futuro próximo, escapar da necessidade de realizar uma série de coisas de maneira concomitante. Os imperativos e o ritmo da vida pessoal e do trabalho já não permitem um nível de concentração absoluto em apenas um objetivo. Não é por isso, porém, que precisamos seguir romantizando o multitarefismo.



Para além de reconhecer a maior ou a menor capacidade de um profissional em fazer diferentes coisas ao mesmo tempo, é urgente reconhecer os riscos e as ameaças do acúmulo desenfreado e concomitante de responsabilidades.

Realização no trabalho caminha muitas vezes junto com a ansiedade

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



A maioria dos brasileiros empregados sente orgulho do seu trabalho e se realiza com as tarefas desempenhadas no dia a dia. Por outro lado, a ansiedade e a insegurança também fazem parte da rotina profissional de grande parte dessas pessoas.



Pode parecer contraditória a convivência de sentimentos bons e ruins em relação ao trabalho. Mas a realização e a ansiedade andam lado a lado em meio a uma cultura que valoriza a sobrecarga e associa o desempenho e a produtividade à quantidade de horas trabalhadas.



Uma pesquisa realizada entre maio e julho de 2021, que ouviu 1.500 pessoas de 51 países, mostrou que 74% dos brasileiros se sentem realizados ou orgulhosos com o seu trabalho ao menos uma vez por semana. Já 81% deles consideram que sua atividade profissional impacta positivamente a sociedade.



O estudo, realizado pela Happiness Business School Global Partnership, revelou também que somente 20% dos brasileiros estão otimistas em relação ao seu futuro profissional, enquanto 39% se sentem inseguros e não consideram ter um vínculo de confiança e abertura com seus líderes. Apenas 3% dos brasileiros, por fim, dizem que nunca se sentem ansiosos a respeito do trabalho – contra 10% na média dos outros países pesquisados.



Os dados recolhidos descrevem uma relação ambígua com o trabalho. Em que ele é entendido como uma fonte, ao mesmo tempo, de orgulho e de ansiedade. É como se o estresse fosse uma condição inevitável da realização.



No entanto, a pesquisa indicou que muitas pessoas têm considerado alto demais o preço da satisfação obtida por meio das atividades profissionais. Na ordem de prioridades estabelecidas pelos brasileiros em relação ao trabalho, a saúde mental aparece em primeiro lugar. Em seguida, vem a saúde física e só depois a realização de seus sonhos, o aumento do patrimônio, a permanência na empresa e, por último, a mudança de emprego.



Embora o trabalho seja responsável por dar sentido e orgulho para a maioria das pessoas, portanto, elas não estão dispostas a abrir mão de seu bem-estar psicológico e físico em função dele. O desafio para funcionários e líderes é encontrar o bom equilíbrio entre essas duas necessidades.

Veja lançamentos recentes de livros sobre gestão e carreira

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Poucas vezes o mundo do trabalho foi objeto de mudanças tão grandes em um período tão curto.



Mas se as transformações são aceleradas, compreendê-las exige tempo. Com alguma distância, especialistas têm traçado diagnósticos mais sólidos sobre o que permanece e o que muda no plano profissional nos próximos anos.



Veja abaixo algumas dicas de leitura para pensar os negócios e o trabalho;

Negociando o inegociável (Daniel Shapiro; Editora Globo)



Torne-se um cientista de dados – LinkedIn

O autor discute formas de solucionar impasses em diferentes ambientes, como a família e o trabalho. Shapiro dá dicas, ainda, para lidar com conflitos que envolvem divergências de fundo e alta carga emocional.

Ruído (Daniel Kahneman, Olivier Sibony e Cass R. Sunstein; Editora Objetiva)


Neste livro, os autores de “Nudge” debatem os fatores que levam a julgamentos e decisões diferentes para problemas idênticos. Embora a variabilidade seja normal, ela acarreta prejuízos importantes para pessoas e empresas.

Sem esforço – torne mais fácil o que é mais importante (Greg McKeown; Editora Sextante)


O autor oferece aos leitores dicas para a realização de tarefas de maneira simples e eficaz. Em 15 conselhos práticos, ele mostra a necessidade de intervalos como propulsores de produtividade e de trinar o cérebro para focar no que há de mais relevante, por exemplo

Manual de gestão empresarial: teoria e prática (Almir Ferreira de Sousa, Adelino de Bortoli Neto, Carlos Eduardo de Mori Luporini, Fabrício Kiyokawa e Natan de Souza Marques; Editora: Manole)


Escrito pelos professores do MBA Gestão Empresarial da FIA, o manual apresenta a executivos o conteúdo de gestão ensinado pelas melhores escolas de negócios no Brasil e no mundo.