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Realização no trabalho caminha muitas vezes junto com a ansiedade

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



A maioria dos brasileiros empregados sente orgulho do seu trabalho e se realiza com as tarefas desempenhadas no dia a dia. Por outro lado, a ansiedade e a insegurança também fazem parte da rotina profissional de grande parte dessas pessoas.



Pode parecer contraditória a convivência de sentimentos bons e ruins em relação ao trabalho. Mas a realização e a ansiedade andam lado a lado em meio a uma cultura que valoriza a sobrecarga e associa o desempenho e a produtividade à quantidade de horas trabalhadas.



Uma pesquisa realizada entre maio e julho de 2021, que ouviu 1.500 pessoas de 51 países, mostrou que 74% dos brasileiros se sentem realizados ou orgulhosos com o seu trabalho ao menos uma vez por semana. Já 81% deles consideram que sua atividade profissional impacta positivamente a sociedade.



O estudo, realizado pela Happiness Business School Global Partnership, revelou também que somente 20% dos brasileiros estão otimistas em relação ao seu futuro profissional, enquanto 39% se sentem inseguros e não consideram ter um vínculo de confiança e abertura com seus líderes. Apenas 3% dos brasileiros, por fim, dizem que nunca se sentem ansiosos a respeito do trabalho – contra 10% na média dos outros países pesquisados.



Os dados recolhidos descrevem uma relação ambígua com o trabalho. Em que ele é entendido como uma fonte, ao mesmo tempo, de orgulho e de ansiedade. É como se o estresse fosse uma condição inevitável da realização.



No entanto, a pesquisa indicou que muitas pessoas têm considerado alto demais o preço da satisfação obtida por meio das atividades profissionais. Na ordem de prioridades estabelecidas pelos brasileiros em relação ao trabalho, a saúde mental aparece em primeiro lugar. Em seguida, vem a saúde física e só depois a realização de seus sonhos, o aumento do patrimônio, a permanência na empresa e, por último, a mudança de emprego.



Embora o trabalho seja responsável por dar sentido e orgulho para a maioria das pessoas, portanto, elas não estão dispostas a abrir mão de seu bem-estar psicológico e físico em função dele. O desafio para funcionários e líderes é encontrar o bom equilíbrio entre essas duas necessidades.

Geração mais jovem valoriza mais o respeito do que regalias no trabalho

Por Phillipe Scerb – Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Os millenials preferem uma comunicação respeitosa com seus chefes e seus pares a benefícios excêntricos e happy hours no local de trabalho. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, que pretendia analisar o que mais tem motivado os jovens profissionais.



Os pesquisadores entrevistaram 1.000 pessoas de 21 a 34 anos – a chamada geração Y – que trabalham em 18 áreas diferentes, incluindo indústria e serviços. O objetivo era de que os profissionais avaliassem os elementos da cultura da empresa em que trabalham. A partir das avaliações, o estudo mediria a relação desses aspectos com o engajamento e a resiliência dos funcionários.



Como já era de se esperar, baseado em outras pesquisas, o estudo mostrou que a satisfação dos profissionais com o ambiente de trabalho tem relação direta com a sua motivação e sua resiliência para enfrentar problemas e desafios. Mais do que isso, porém, os pesquisadores descobriram que uma comunicação respeitosa entre os funcionários tem um impacto direto sobre o seu bem-estar e, consequentemente, sobre o engajamento nas suas tarefas.



A grande conclusão que se tira da pesquisa é que a busca de realização profissional dos millenials depende, em boa medida, da sensação de respeito e do reconhecimento que eles esperam receber de chefes e colegas. O que acaba sendo ainda mais importante, para o seu desempenho, do que benefícios voltados a tornar mais leve e divertido o ambiente de trabalho.



Para manter jovens profissionais engajados por mais tempo, portanto, é crucial para as empresas investir no treinamento de líderes e gestores. Afinal, a forma como eles se comunicam – mais ou menos respeitosamente – define os vínculos que os funcionários vão estabelecer com o trabalho e a empresa. De pouco adiantam benefícios infinitos se o respeito não for a base das relações profissionais.