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A necessidade do descanso e do lazer mesmo dentro de casa

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



A separação entre a rotina profissional e o tempo livre nunca foi tão difícil. Pois se as novas tecnologias já vinham nos mantendo constantemente conectados, a pandemia praticamente acabou com a divisão espacial e temporal entre o trabalho e a vida pessoal.



Esse, aliás, é um dos motivos para o crescimento exponencial dos problemas de saúde mental entre profissionais de diferentes áreas no último período. De acordo com diversas pesquisas, os índices de ansiedade e estresse ligados ao trabalho nunca foram tão altos.



Outro fator que tem contribuído para esses números é a dificuldade que as pessoas vêm enfrentando para encontrar momentos de completo descanso e para realizar atividades de lazer.



Algo fácil de entender na medida em que viagens, encontros e eventos sociais desapareceram, quase completamente, do rol de possibilidades em meio à pandemia. O resultado é mais tempo gasto com o trabalho e menos com o lazer e o entretenimento.



Mas a despeito das dificuldades impostas pelo distanciamento social, devemos fazer um esforço para descansar e realizar atividades alternativas ao trabalho, mesmo que dentro de casa.



Não apenas porque elas ajudam a preservar uma boa saúde mental e se revertem em mais produtividade no dia a dia. Mas também porque nossas competências profissionais dependem do nosso repertório cultural. As referências e as ideias que aplicamos no nosso trabalho não provêm simplesmente do mundo profissional, mas das experiências que adquirimos fora dele. E são cada vez mais valorizadas pelas empresas.



Por isso, é fundamental que mantenhamos práticas típicas de lazer de maneira a expandir nossos horizontes. E as possibilidades são consideráveis mesmo em caso de confinamento.



Ler, de romances a revistas e jornais, é sempre uma boa opção. Com a multiplicação de plataformas de streaming, filmes e séries ficaram muito mais acessíveis. Há também quem prefira acompanhar alguns dos inúmeros cursos disponíveis na internet, vários deles gratuitos.



De todo modo, o importante é não deixar de descansar e aproveitar o tempo livre. Nossa saúde mental e nosso desempenho profissional agradecem.


O problema do tédio e da falta de motivação no trabalho

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



Jornadas intermináveis, altas cargas de estresse e o excesso de responsabilidades profissionais são sabidamente nocivos e podem levar à famosa síndrome de Burnout.


Mas se muito trabalho é ruim, pouco trabalho também pode ser. E já há até quem dê um nome para o tédio e a ansiedade que atingem profissionais pouco motivados no dia a dia: a síndrome do boreout, originada da palavra bored (entediado, em inglês).


Olhando de fora, parece invejável a rotina de alguém que conclui as tarefas do dia em poucas horas e passa as restantes matando o tempo e, no máximo, esperando outras demandas do chefe – que, muitas vezes, nunca vêm.


No entanto, essas horas de suposto descanso são, via de regra, acompanhadas de um tédio que pode ser tão ruim, segundo psicólogos, quanto o esgotamento provocado pelo excesso de trabalho.


Pois além de ter a produtividade prejudicada, como demonstrou um estudo da Universidade de Lancashire, na Inglaterra, os profissionais nessas condições tendem a despejar sua ansiedade em práticas nada saudáveis. Que vão desde passar horas e horas nas redes sociais para matar o tempo até o consumo obsessivo de cigarros, álcool e comidas altamente calóricas.


Mas não se assuste

Um pouco de tédio no trabalho é normal e até saudável. O problema ocorre quando ele se torna dominante e faz você se sentir inútil e desenvolver importantes sintomas de ansiedade.



O que não está diretamente ligado às tarefas e ao tipo de trabalho que você tem. O tédio diz muito mais respeito a você e aos seus interesses do que ao seu emprego em si. É possível, por exemplo, ter um ótimo cargo e não se sentir motivado e valorizado.



Se você não gosta e não se sente desafiado pelas tarefas do dia a dia, é normal que elas pareçam monótonas e sem sentido. Um problema ainda maior quando somos forçados a aceitar trabalhos distantes das nossas áreas e aspirações profissionais. Geralmente, o salário não basta para gerar motivação e engajamento.


O que fazer?

Os psicólogos suíços que cunharam a noção de síndrome de boreout não se contentaram, ainda bem, a definir o problema. Eles apresentaram também sugestões para que os profissionais superem o tédio crônico no trabalho.



O primeiro passo seria buscar pequenas motivações nas tarefas diárias. E caso seja impossível encontrá-las, convém conversar com os chefes e demonstrar interesse em desenvolver novas tarefas que possam ser úteis para a empresa.



Outra alternativa é procurar motivação fora do trabalho. De preferência, em momentos livres antes ou depois do expediente. Novos hobbies podem compensar a frustração e a ansiedade da rotina profissional.



Se ainda assim o tédio crônico não desaparecer, a saída é buscar outro trabalho que realmente te atraia. Sem que isso implique abandonar o emprego atual, pois o desemprego só faria aumentar a ansiedade provocada pela falta de motivação.



Não é simples encontrar o trabalho dos sonhos, que nos motive e nos desafie a cada dia. Nem por isso, devemos nos acostumar com o tédio e a ausência de um sentido para a nossa vida profissional.

Como tirar grandes planos do papel em 2021

Por Philipe Scerb- Mestre em Ciências Políticas pela SciencesPo-Paris e Doutorando pela USP



2020 não foi, definitivamente, um ano apropriado para o desenvolvimento de projetos ambiciosos. As incertezas e as limitações trazidas pela pandemia forçaram empreendedores e profissionais a abandonarem ou suspenderem iniciativas mais ou menos avançadas.


O ano que acaba de começar tampouco parece muito propício para grandes riscos. No entanto, a perspectiva do fim da fase mais aguda da pandemia aberta pelas vacinas, de um lado, e a compreensão de que bons planos não devem apodrecer indefinidamente na gaveta, de outro, têm incentivado muitas pessoas a colocar projetos antigos em prática.


Uma tarefa nada fácil e que exige bastante esforço e disciplina, mas cuja dificuldade pode ser atenuada por algumas medidas relativamente simples.


É o que sugere o escritor Herbert Lui, que depois de anos com o projeto em mente, conseguiu finalmente escrever um livro sobre dicas de criatividade. Na esteira dessa realização, ele publicou um artigo com quatro conselhos para tirar do papel grandes projetos em 2021. São eles:


Baixe seu nível de exigência

Uma das maiores dificuldades dos grandes planos diz respeito à expectativa que criamos em torno deles. A melhor forma de lidar com ela é diminuindo-a. Trate o projeto como mais um, e não o mais importante momento da sua vida profissional.


Organize-se

Organizar as ideias é imprescindível para qualquer iniciativa de fôlego. Facilmente, nos perdemos entre tantos objetivos e planos. Portanto, comece planejando a estrutura do projeto e mantenha um sistema concatenado de ideias e realizações para que elas não saiam do controle.


Não desvie o foco do mais importante

Tendemos muitas vezes a procrastinar e deixar aquilo que é central para depois. Para que um grande projeto saia do papel, é fundamental que ele avance. Para isso, devemos sempre ter clareza do que é mais urgente e, simplesmente, fazer..


Um passo de cada vez

Um grande projeto não fica pronto de um dia para o outro. E a melhor forma de lidar com uma ansiedade paralisante é estabelecendo, continuamente, pequenas metas e prazos. Assim, a pressão diminui conforme a sensação de realização aumenta.